terça-feira, 29 de julho de 2008

Direitos Humanos: Amnistia Internacional acusa China de ter quebrado promessa olímpica

A dez dias da abertura oficial dos Jogos Olímpicos, a Amnistia Internacional acusa a China de não ter honrado a promessa de melhorar o cumprimento dos direitos humanos no país. Segundo um relatório divulgado ontem, a situação deteriorou-se mesmo nos últimos sete anos e a competição está a ser usada para reforçar a repressão contra activistas e dissidentes.
O relatório faz um retrato da situação no país desde 2001, ano em que a China foi escolhida para organizar os Jogos de 2008 e se comprometeu junto do Comité Olímpico Internacional (COI) a adoptar medidas para melhorar a situação dos direitos humanos no país, em linha com a Carta Olímpica. 
“Não houve progressos com vista ao cumprimento destas promessas, apenas uma deterioração continuada”, concluiu o autor do relatório apresentado ontem em Hong Kong, sob o título “Contagem decrescente olímpica – as promessas quebradas”. 
Segundo o relator da organização de defesa dos direitos humanos, “as autoridades usaram os jogos Olímpicos como pretexto para continuarem e, em alguns aspectos, intensificarem as políticas e práticas existentes que conduziram a violações graves e disseminadas dos direitos humanos”. 
Nos últimos meses, acrescenta o documento, o regime comunista, reforçou a perseguição a jornalistas, advogados e activistas para “silenciar os dissidentes” à medida que a atenção internacional se centrava na China e, em alguns casos, as autoridades chegaram mesmo a intimidar as famílias dos opositores.
A Amnistia Internacional não poupa também o COI, a quem acusa de incapacidade para forçar Pequim a cumprir o caderno de encargos que assumiu em 2001, “passando a mensagem de que é aceitável um Governo organizar os Jogos Olímpicos numa atmosfera caracterizada pela repressão e perseguição”.
“A menos que se assista a uma mudança radical da parte das autoridades chinesas, a herança dos Jogos não será positiva para os direitos humanos na China”, avisa a organização, que repete o apelo para que o COI e a comunidade internacional convençam Pequim a adoptar medidas rápidas para salvar a face. 
No relatório são apontadas cinco medidas que o país poderá adoptar no curto prazo, que constavam já de uma carta enviada recentemente ao Presidente chinês, Hu Jintao. Entre elas, a “libertação de todos os detidos por delitos de opinião” e a adopção de medidas para “impedir a polícia de proceder a detenções arbitrárias de signatários de petições”. a AI quer também que as autoridades garantam “liberdade total” aos jornalistas que vão acompanhar as Olimpíadas e dêem conta “de todos aqueles que foram mortos ou detidos durante as manifestações de Março de 2008 no Tibete”. Por último pede que sejam publicadas “na totalidade” as estatísticas sobre pena de morte e se aplique uma moratória às execuções.
O Governo chinês já reagiu às acusações que lhe são feitas, sustentando que “aqueles que conhecem a China não podem estar de acordo com este relatório”. “Esperamos que [a AI] tire os óculos fumados que usa há muitos anos para ver que, por fim, consiga ver a China de forma objectiva”.

Falta um pouco de tudo no Centro de Saúde de Kongolote


 O centro de saúde de Kongolote, no Municipio da Matola, ressente-se da falta de pessoal médico para responder à demanda dos seus serviços, principalmente para atender aos casos de maior gravidade, com maior incidência a malária, e “doenças oportunistas” resultantes do HIV/Sida. Este facto foi revelado ao Canal de Moçambique por Aina Rachide, directora técnica daquele centro de saúde. 
Disse ainda que a exiguidade de espaço condiciona o número de atendimentos por dia, pois as seis salas actualmente em uso não satisfazem os anseios da sua instituição, que segundo sustenta, passam por cobrir um cada vez maior número de pacientes do lugarejo. “Mesmo assim a média atinge as 300 ou 400 pessoas por semana, com maior incidência para as crianças dos três aos 10 anos padecendo de doenças diarreicas, gripe, malária e outras com problemas que procuram desparasitação. 
Aina Rachide lamenta a falta de um laboratório de análises. Diz que se recorre ao uso de um sistema pouco eficiente. Chama à atenção para a falta de uma viatura para a evacuação de doentes graves, neste caso para o posto hospitalar de Ndalavela. 
A finalizar, e naquilo que considerou de falta de sentido de oportunidade, Aina Rachide criticou o facto de alguns seropositivos não participarem das palestras ministradas por uma associação não governamental denominada Ocosida, pois nestas “ há mensagens com horizontes definidos e claros para este tipo de doentes” e que acabam continuando sendo desconhecidas para quem delas precisava de conhecer.

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Presidente iraniano quer partilhar "base comum" com o Ocidente

O Presidente iraniano indicou, numa entrevista difundida hoje pela cadeia de televisão NBC, que se os Estados Unidos tiverem uma nova abordagem em relação ao Irão, então nesse caso Teerão irá responder positivamente. Mahmoud Ahmadinejad indicou igualmente que quer partilhar uma “base comum” com o Ocidente.
Falando a menos de uma semana do fim do prazo para a resposta de Teerão ao pacote de incentivos oferecido pelo grupo composto pelos EUA, China, Rússia, Reino Unido, França e Alemanha (G-6), Ahmadinejad disse à televisão americana que um acordo com o Ocidente depende na sinceridade de uma mudança da abordagem dos EUA face a Teerão.
Os responsáveis ocidentais indicaram que depois do encontro, em Genebra, entre o negociador do dossier nuclear iraniano com o chefe da diplomacia europeia, no dia 19 de Julho, que Teerão teria duas semanas para responder à oferta ocidental do congelamento de novas sanções internacionais contra o país, em troca do congelamento do programa nuclear iraniano. 
O prazo para uma resposta termina no sábado. “Eles ofereceram um pacote [de incentivos] e nós respondemos com o nosso próprio pacote”, disse Ahmadinejad, falando à NBC por intermédio de um tradutor, numa entrevista que a estação de televisão difundiu hoje.
“É muito natural. Num primeiro momento, vamos negociar os itens que tenham uma base comum nos dois pacotes. Se as duas partes conseguirem chegar a um acordo, isso irá ajudar-nos a trabalhar sobre as nossas diferenças, a fim de chegarmos a um acordo”.
Ahmadinejad negou mais uma vez que o Irão esteja a tentar conceber a bomba atómica, tendo dito que as armas nucleares estão desactualizadas. 
Ahmadinejad disse ainda à NBC: “A questão principal aqui é saber se isto [a oferta do pacote de incentivos] é a continuação da antiga abordagem, ou se é uma abordagem totalmente nova. Se isto é a continuação do processo antigo, o povo iraniano precisa de defender os seus direitos e os seus interesses”, disse. “Mas se a abordagem mudar, nesse caso estaremos perante uma nova situação e a resposta do povo iraniano será positiva”. 
Os Estados Unidos alertaram o Irão para a possibilidade de enfrentarem sanções mais pesadas se Teerão não cumprir o prazo. Washington não afasta a possibilidade de levar a cabo uma acção militar, se a diplomacia falhar.

Zimbabwe introduz nova nota de 100 biliões de dólares

Os problemas económicos do Zimbabwe estão a obrigar os zimbabweanos a familiarizarem-se com números gigantescos, na casa dos quatriliões, quintiliões e sextiliões.
Na segunda-feira o governo de Harare introduziu a nova nota de 100 biliões de dólares zimbabweanos (nove zeros) que, no momento, compra dois pães.
A contagem de zeros já se transformou num pesadelo para bancários e lojistas antes mesmo da introdução da nova nota.
Apenas em 2008, o governo do Zimbabwe devastado pela hiperinflação já lançou notas de 100 milhões, zimbabweanos.
Todas elas já perderam o valor e é comum para os zimbabweanos falarsobre suas despesas diárias usando
números que avançam pela casa dos triliões (12 zeros).
A taxa anual de inflação do Zimbabwe chegou a 2,2% ao ano, segundo dados oficiais divulgados no meio do mês de Julho.
Cortando zeros
O economista zimbabweano John Robertson colocou um gráfico na parede do escritório dando nomes aos números que chegavam ao dobro do trilião.
E, de acordo com alguns zimbabweanos, outra técnica usada para se familiarizar com as quantias é a de cortar zeros, pois a maioria das calculadoras simplesmente não tem dígitos suficientes.
Caixas registadoras, computadores de bancos e os sistemas em geral estão também a lutar para lidar com o excesso de zeros na economia.
Como resultado, os bancos concordaram recentemente em cortar seis zeros em transações em documentos.
Para o economista John Robertson, dentro de um mês eles serão obrigados a cortar outros três zeros.
Outra técnica comum para manter os zeros sob controle é pensar em termos de dólares americanos.

Família Mandela dividida quanto a partilha de bens patrimoniais


Graça Machel, esposa do líder histórico do ANC e antigo chefe de Estado sul-africano, Nelson Mandela, foi chamada a mediar um conflito que grassa há algum tempo no seio da família do carismático estadista. A julgar pelos dados revelados na edição de ontem do semanário «Sunday Times» de Joanesburgo, a viúva de Samora Machel e antiga primeira-dama moçambicana não foi bem-sucedida nos seus esforços como mediadora. 
A disputa culminou no último fim-de-semana com o boicote das celebrações do 90° aniversário natalício de Nelson Mandela por parte dos filhos da segunda mulher de Mandela, a senhora Winnie Madikizela-Mandela. Esta também esteve ausente da festa de aniversário realizada na terra natal de Nelson Mandela, Qunu, no Cabo Oriental. Os filhos de Mandela não compareceram à festa apesar dos insistentes apelos feitos por ele próprio e pelo seu neto favorito, o chefe tradicional Mandla Mandela. 
De acordo com o «Sunday Times», Winnie Madikizela-Mandela, as filhas Zindzi e Zenani, assim como os netos, recusaram comparecer à festa de aniversário por se sentirem ressentidos pelo facto de terem sido postos de parte em questões familiares. 
As duas filhas do casamento de Mandela com Winnie não aprovam a utilização de uma garrafa de bebida alcoólica contendo uma mensagem de felicitações dos filhos e netos de Mandela, garrafa essa produzida no âmbito da angariação de fundos pela Fundação Nelson Mandela. Refere a carta: “As instituições do legado Mandela havia tomado a decisão de que a imagem do Tata (Nelson Mandela) não deveria estar associada a produtos como tabaco, bebidas alcoólicas ou medicamentos”. A carta acrescenta que a decisão tomada pela filha do primeiro casamento de Mandela, Makaziwe, em utilizar um produto alcoólico para promoção da imagem de Nelson Mandela era “inapropriada”. 
As filhas de Winnie Madikizela-Mandela também manifestaram o seu desagrado pela forma como foram feitos os preparativos do concerto musical realizado em Londres no âmbito dos festejos do 90° aniversário natalício de Nelson Mandela. O semanário que temos vindo a citar refere que as filhas de Winnie Madikizela-Mandela consideram que “o concerto foi monopolizado por artistas oriundos de Moçambique, Estados Unidos e Londres”. Graça Machel terá tido papel de relevo na inclusão de artistas moçambicanos no leque de participantes ao referido concerto. 
Divisão de Bens Patrimoniais 
A família Mandela está ainda dividida quanto à forma como os bens patrimoniais de Nelson Mandela irão ser distribuídos após a sua morte. Nelson Mandela terá sugerido durante uma reunião familiar realizada numa propriedade agrícola sua situada na província do Limpopo, que “uma grande percentagem dos seus bens patrimoniais destinar-se-iam à Fundação Nelson Mandela. Uma outra porção seria dada a Graça Machel e ao neto, o já referido chefe tradicional Mandla Mandela, enquanto que o resto seria repartido entre os filhos dos dois primeiros casamentos de Nelson Mandela.

Brasil quer investir no `M'panda Nkua´

O Brasil está interessado em investir na construção da Barragem de Mpanda Nkua, ao longo do rio Zambeze, segundo afirmou sábado último o Presidente da República, Armando Guebuza, durante um comício popular que orientou em Manje, sede do distrito de Chiúta, no início da sua presidência aberta à província de Tete.Sem avançar detalhes sobre o investimento na futura Barragem de Mpanda N'kua, Armando Guebuza disse que o Brasil está também a investir na extracção de carvão mineral em Moatize, na mesma província, facto que vai colocar o país no mapa mundial de produção de carvão mineral.
A Rio Doce Moçambique é a companhia brasileira a quem foi entregue a concessão mineira do carvão de Moatize, nos meados de 2007, estando em curso os preparativos para a construção de respectiva infra-estrutura mineira. A empresa encontra-se na fase de implementação do projecto de reassentamento das populações que residem nas áreas abrangidas pelo projecto. 
Armando Guebuza, cuja delegação que o acompanha integra, entre outras personalidades, os embaixadores do Brasil e da China, disse ainda que assim como o Brasil, a China também é um dos grandes parceiros de Moçambique. 
Segundo o Chefe do Estado, a electrificação de todo o Moçambique e não só depende da quantidade de energia que Tete pode produzir, observando que muitos projectos não estão a avançar devido à insuficiência de energia, dando exemplos dos projectos da MOZAL III e areias pesadas de Chibuto, que não avançavam em razão da insuficiência da energia de que o país actualmente dispõe.

sábado, 26 de julho de 2008

O motorista de Ben Laden Salim Hamdan


Salim Hamdan tornou-se no primeiro detido a ser julgado por crimes de guerra dos Estados Unidos desde a II Guerra Mundial
Salim Hamdan entrou para a história ao tornar-se no primeiro prisioneiro julgado por um tribunal de crimes de guerra americano desde a Segunda Guerra Mundial. Enfrentando as acusações de conspiração e de apoio material ao terrorismo, declarou-se inocente, na segunda-feira, quando foi presente ao tribunal militar de excepção instalado em Guantánamo, a base militar dos EUA em Cuba, para onde foi levada a maioria dos prisioneiros da guerra ao terrorismo desencadeada após o 11 de Setembro de 2001. 
Hamdan apresentou-se com ar desvairado, relataram os jornalistas, dificuldade no andar, envergando túnica creme, turbante branco e auscultadores de tradução na cabeça. Iemenita de origem, foi preso há quase sete anos, no Afeganistão, onde trabalhara tanto como motorista como guarda-costas de Ussama ben Laden. Apenas porque precisava dos 200 dólares que recebia, diz ele, tentando contrariar os que o acusam de ter ajudado o líder da Al-Qaeda a escapar às forças da coligação e de ter distribuído armas pelos que queriam resistir e apoiar o regime talibã. Os seus advogados afirmam que foi torturado, que é um mero actor secundário, mas não conseguiram impedir o julgamento deste combatente inimigo dos Estados Unidos. 
Natural de Hadramout, no Iémen, Hamdan terá nascido na década de 70, tendo levado uma vida modesta trabalhando como motorista de táxi, disse à AFP Jonathan Mahler, o autor de um livro que conta a sua história e vai ser publicado em Agosto. Quando foi recrutado para a Jihad, que muitos traduzem por guerra santa, tinha 26 anos. Estava- -se no ano de 1996 e Hamdan, que não era particularmente religioso, decidiu juntar-se a um grupo de 35 muçulmanos e partir para o Tajiquistão. Ali os militantes islamitas combatiam, na altura, o Governo apoiado pela Rússia. Os combatentes viram-se, no entanto, retidos no Afeganistão, após seis meses de caminhada pelas montanhas. Foi então que travaram conhecimento com Ussama ben Laden. O líder da Al-Qaeda, cujo pai era natural do Iémen, gostava de se rodear de gente da sua terra. Hamdan, dizem os procuradores, começou por trabalhar para ele na quinta Hada, próxima da cidade de Jalalabad e, mais tarde, em Kandahar, no Sul do Afeganistão. Foi depois promovido a seu motorista e guarda-costas. "Em diversas ocasiões, entre 1996 e 2001, conduziu e acompanhou Ben Laden a campos de treino para terroristas [como o Al-Faruq] e a conferências de imprensa ou reuniões", lê-se no auto de acusação, segundo o qual o detido recebeu formação em armas e forneceu armamento a apoiantes da Al-Qaeda. 
Após os atentados do 11 de Setembro, nos EUA, o iemenita conduziu Ben Laden num périplo por várias casas seguras enquanto as forças norte-americanas e aliadas tentavam localizá-lo. A separação, entre Hamdan e o líder da Al--Qaeda, deu-se em Outubro de 2001, quando ele levou a filha e a mulher grávida de Kandahar para a fronteira com o Paquistão. No caminho de regresso, foi parado por forças aliadas afegãs, que o entregaram aos EUA. Na altura transportava, alegadamente, dois mísseis terra-ar no carro em que seguia. Esteve seis meses nos campos de detenção norte- -americanos em Bagram e Kandahar. 
O antigo motorista de Ben Laden chegou a Guantánamo em Maio de 2002. Inicialmente foi levado para o campo número quatro, o dos prisioneiros com farda branca, mas posteriormente foi transferido para o sistema de isolamento em vigor no campo cinco. Os seus advogados iniciaram, então, uma odisseia legal que colocou à prova a política de detenções da guerra ao terrorismo da Administração de George W. Bush. O Supremo Tribunal dos EUA invalidou os tribunais militares de excepção, em 2006, mas o Congresso, controlado pelos republicanos, autorizou o sistema. Os membros da Al-Qaeda não foram classificados como presos de guerra, por causa das Convenções de Genebra, mas como combatentes inimigos dos EUA. 
Nas audiências preliminares, Hamdan expressou a sua frustração em relação ao tratamento recebido em Guantánamo e até mesmo em relação aos seus advogados. "Estar na solitária é como estar num cemitério. É como colocar uma pessoa morta num túmulo". No início do seu julgamento, o juiz militar, o capitão Allred, recusou as provas obtidas "sob coerção" na prisão de Bagram, depois de descobrir que o detido passava 24 horas com as mãos e os pés amarrados e, por vezes, de joelhos. As provas obtidas em Guantánamo, porém, foram aceites como válidas. |